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Projeto-Portaria/docs/07-REQUISITOS-DE-CAMPO.md

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07 — Requisitos de campo

Este documento não é backlog de software. É pré-requisito contratual de instalação. Um condomínio que não atenda a estes itens não pode ser ativado — o produto vai falhar em campo por motivos que nenhuma linha de código resolve.

1. Por que este documento existe

O produto inteiro pressupõe que o visitante consegue abrir uma página web na calçada. Essa premissa quebra com frequência:

  • Hall de entrada blindado não pega 4G. Concreto armado, vidro laminado e subsolo derrubam o sinal. O visitante escaneia o QR e nada acontece.
  • Celular sem bateria no fim do dia de um entregador.
  • Visitante sem smartphone — idoso entregando documento, prestador com aparelho antigo.
  • Sol direto tornando o QR ilegível e a tela invisível.

Nenhum desses é resolvível em software. São requisitos físicos, e precisam estar no contrato de instalação junto com o preço.

2. Checklist de ativação

Um condomínio só entra em produção com todos os itens verificados em campo, não no papel.

2.1 Conectividade — obrigatório

  • Wi-Fi aberto de visitante com cobertura medida em cada portaria
  • SSID óbvio: Portaria-<NomeDoCondominio>
  • Captive portal que abre direto a página do visitante
  • Portal instrui a abrir no navegador padrão — o mini-navegador do captive portal (CNA do iOS, e vários Androids) bloqueia câmera e geolocalização, as duas permissões de que o fluxo depende. O portal exibe botão/instrução "abrir no Safari/Chrome", e o teste de ativação percorre o fluxo completo a partir do portal, não de um navegador já aberto
  • Rede isolada da rede administrativa (VLAN separada, sem acesso à LAN interna)
  • Banda mínima 5 Mbps simétricos reservados para o visitante
  • Teste de sinal ≥ -70 dBm no ponto exato onde o visitante fica

A rede de visitante isolada não é detalhe: uma rede aberta com acesso à LAN do condomínio é porta de entrada para ataque. Ela serve apenas para chegar à internet.

2.2 QR — obrigatório

  • Impresso em material fosco (brilhante reflete sol e não é lido)
  • Mínimo 15×15 cm, correção de erro nível H
  • Altura de 1,20 a 1,50 m do chão
  • Protegido de sol direto (marquise, ângulo, ou toldo)
  • URL curta legível abaixo do código, para digitação manual
  • Instrução em português e inglês
  • Suporte com placa reserva, para reimpressão em caso de vandalismo

2.3 Fallback físico — obrigatório

  • Botão físico de chamada na portaria, ligado ao mesmo fluxo
  • Botão à altura acessível (≤ 1,20 m) e identificado com pictograma
  • Aciona chamada para a portaria/operador sem depender de celular
  • Alimentação com no-break de no mínimo 4 horas

O botão físico é o que atende quem não tem celular, está sem bateria ou não consegue usar o QR. Sem ele, o produto exclui uma parcela real de visitantes — e cria a situação em que alguém legítimo simplesmente não consegue entrar.

Na v1, o botão é deliberadamente um interfone direto (GSM/4G ou SIP) para o responsável/central — fora da plataforma. É proposital: ele precisa continuar funcionando exatamente quando a plataforma cai, então não pode depender dela. Integrá-lo como dispositivo da plataforma (disparando o fluxo de visita com operador) é v2, atrás de AccessControlDevice.

  • Placa física com o aviso de tratamento de dados, visível antes da coleta
  • Nome e contato do encarregado (DPO) do condomínio
  • Texto idêntico ao exibido na tela, com a mesma versão
  • LIA preenchida e arquivada (06-LGPD-E-SEGURANCA.md)

2.5 Energia e contingência — obrigatório

  • No-break para roteador, botão de chamada e equipamento de rede (≥ 4h)
  • Telefone de contingência do responsável pela abertura, afixado na portaria
  • Procedimento escrito para queda total, conhecido pelo zelador
  • Contato do síndico e da empresa de segurança visíveis

2.6 Cadastro — obrigatório

  • Base de unidades importada e conferida contra a lista da administradora
  • Ao menos um morador com app instalado por unidade (meta: 80% das unidades)
  • ring_order definido nas unidades com múltiplos moradores
  • delivery_rule definida por unidade (default DEIXAR_PORTARIA)
  • Responsáveis pela abertura cadastrados com prioridade
  • quiet_hours acordada com o síndico
  • geofence_meters calibrado no local (default 80 m; ajustar em condomínio grande)

Unidade sem nenhum morador com app é unidade que nunca atende. Abaixo de 60% de cobertura, o condomínio não deve ser ativado no plano Autônomo — só no Assistido.

3. Calibragem do geofence

O raio padrão de 80 m funciona na maioria dos casos, mas precisa ser medido:

  1. Ficar no ponto do visitante e registrar a coordenada em gates.location
  2. Medir a precisão real do GPS no local (prédio alto e marquise degradam muito)
  3. Ajustar geofence_meters para cobrir a imprecisão sem abrir demais
  4. Testar com dois aparelhos diferentes, Android e iPhone

Raio apertado demais rejeita visitante legítimo — falha muito pior que aceitar alguém a 100 m. Na dúvida, use raio maior e confie no selo de distância que aparece para o morador durante a chamada.

4. Onboarding do condomínio

1. Visita técnica       sinal, energia, posição do QR, ponto do botão   1 dia
2. Contrato             plano, operador, LIA, contrato de operador      —
3. Infraestrutura       Wi-Fi, captive portal, botão, no-break, placas  25 dias
4. Cadastro             import CSV, conferência, responsáveis           1 dia
5. Adesão dos moradores convites, assembleia, suporte na instalação     24 semanas
6. Piloto assistido     operador ligado, monitoramento diário           2 semanas
7. Ativação             plano definitivo conforme taxa de atendimento   —

A etapa 5 é a mais longa e a mais subestimada. Adesão dos moradores é trabalho de campo, não de software: assembleia, cartaz no elevador, plantão de instalação no hall. Um condomínio com 30% de adesão não tem produto funcionando, por melhor que o código esteja.

A etapa 6 não é opcional. Duas semanas com operador ligado revelam a taxa real de atendimento daquele condomínio. É esse número — não a expectativa comercial — que define se ele fica no plano Autônomo ou no Assistido.

5. Reconciliação contínua

A base de moradores desatualiza sozinha: gente muda de apartamento, vende, aluga, troca de celular. Base desatualizada quebra o produto silenciosamente — a chamada simplesmente não é atendida e ninguém sabe por quê.

Mensal, o relatório GET /admin/reconciliation lista:

  • Moradores com valid_until vencido
  • Unidades sem nenhum dispositivo ativo
  • Dispositivos com push falhando há mais de 7 dias (token morto = desinstalou)
  • Unidades com taxa de atendimento abaixo de 30% no mês
  • Moradores convidados que nunca aceitaram

O síndico ou a administradora confirma as mudanças. Isso é rotina de operação, não incidente — e é o que mantém o produto vivo depois do primeiro mês.

6. Procedimento de contingência

Afixado fisicamente na portaria:

SE O SISTEMA NÃO RESPONDER

1. Use o botão de chamada da portaria
2. Se não funcionar, ligue para o responsável:
      <NOME>  <TELEFONE>
3. Fora do horário, segurança 24h:
      <TELEFONE>
4. Registre a entrada no livro físico

O livro físico permanece na portaria e é preenchido
sempre que o sistema estiver indisponível.

O livro físico não é retrocesso — é a contingência que torna o produto vendável. Enquanto a abertura depender de humano e existir queda de energia, o condomínio precisa de um caminho que funcione sem eletricidade e sem internet. Vender autonomia total seria desonesto, e a primeira queda destruiria a confiança no produto.

7. Materiais de campo

Entregues na ativação:

Material Onde
Placa do QR (fosca, 15×15) Cada portaria
Placa do aviso LGPD + DPO Ao lado do QR
Adesivo do botão de chamada Junto ao botão
Cartaz de contingência Interior da portaria
Cartaz de adesão para moradores Elevadores e hall
Guia rápido do morador (1 página) Digital + impresso
Guia do responsável pela abertura Impresso na portaria
Guia do síndico (admin) Digital